quarta-feira, maio 18, 2011

Vergonha alheia

Quando tenho saudades de alguém (e sinto que posso expôr esse sentimento sem maiores nóias), não vejo problema algum em mandar um recadinho fofo pelas redes sociais. Já fiz isso diversas vezes e acho até bem simpático. Afinal quem não gosta de ser lembrado e de se sentir querido? Eu bem sei que a internet possui uma linguagem própria, na qual imperam abreviações, substituições de grafemas, e tudo mais que lhe conferem quase um dialeto particular. Um processo que acontece naturalmente, pela própria necessidade de se agilizar a comunicação. Até aí, tudo bem, acho digno. Não sou quadrada, nem conservadora, e muito menos especialista em gramática tradicional. Agora, sinceramente, algumas variações que tenho visto por aí chegam a ser patéticas.
"Oi xuxu, a 'Fulaninha'  ta com saudadinha dele..." Ãhn?! Como assim? Quem é esse outro? Saudadinha? O que vem a ser isso?  Dele quem? Eu, na minha ingenuidade tamanha, não tinha nem pensado em duplo sentido. Pra falar a verdade, não acredito mesmo que a conotação sexual tenha sido a intenção. Mas, vamos e convenhamos, a coitada não soube se expressar. Mas juro, embasbaquei de vez com a resposta do tal cara. "Bjinho pa voxe meu amor". Ahhhh faça me o favor. Eu não aguento essa babaquice. Dizem que o amor é brega e nos torna suscetíveis a esse tipo de atitude, mas pelamordedeus, para tudo nessa vida existem limites. Louco de amor, ainda vai! Retardado mental já é demais...

mara.f




"O bom é ser inteligente e não entender.
É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida.
É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice."

(Clarice Lispector)

Nenhum comentário: