Depois de tudo o que descobri a seu respeito, eu tenho certeza de que você seria incapaz de assumir, mas me lembro como se fosse hoje. Em uma de nossas primeiras conversas, você me pediu pra não maltratar seu coração. Eu ri, achando aquilo de uma breguice absurda. Não tenho certeza, mas acho que cheguei a dizer algo do tipo, é mais fácil você fazer isso comigo. Seria uma premonição?
Naquele momento sinto que meu senso do ridículo não me deixou perceber o quanto aquela frase feita fazia parte de um discurso puramente cafajeste do mais baixo calão.
Acontece que eu fui levando essa história muito além do que deveria, pra minha própria surpresa. Justo eu que nunca gostei de homens xucros. Mas de certa forma aquele seu jeito caipira despretencioso me atraía. Não, não foi falta de opção, que fique claro.
Só que nessa de deixar levar eu levei a pior. Da maneira mais tosca, eu percebi de um minuto para o outro, como eu tinha simplesmente servido de "tapa-buraco" de luxo. Daquelas que no fim, mesmo não tendo mais utilidade, fica difícil dispensar. Afinal, nunca se sabe o dia de amanhã. Stand- by seria a palavra.
Ainda bem que eu tenho um cérebro, e ao contrário de você, não posso fingir que não sei usá-lo. Mas dói ser feita de boba, mesmo me julgando tão esperta. Dói aceitar calada. Dói pensar tanto. Me dói principalmente essa falta de jeito em dizer adeus.
mara.f
"Vou querer namorar? Não.
Vou querer casar? Não.
Vou querer pra pai dos filhos? Não.
Então deixa pra lá que já tô velha pra essa palhaçada."
(Tati Bernardi)

