terça-feira, julho 20, 2010

"Ao contrário de ti, não sou nem nunca serei espectadora da minha própria vida"





Não quero pra mim menos do que o papel principal. Isso só aprendi vivendo. Por isso, pela lógica, sei que me encontro em vantagem em relação a você. E se te acuso é porque estou com raiva. Mas ninguém é totalmente estúpido. Seu caso pode não ser perdido. Mesmo assim não se engane. Trata-se de uma decisão, não de um acaso. Como nada nessa vida é. Não acredito em coincidências. Pelo menos, não mais. E saiba, penso que talvez você não esteja condenado a ser eternamente codjuvante. Claro que não em relação a mim, pois nunca tivemos nada a ver mesmo. Não se preocupe comigo. Não estou me incluindo em nada, se é que é isto que você está pensando. Aqui apenas faço constatações. Falo da sua vida, a qual você deveria ser protagonista, mas se contenta em ser apenas telespectador. Não que eu tenha de fato algo a ver com isso, eu sei de verdade, que não é da minha conta. Mas é que de alguma forma, essa sua postura inerte me incomoda. Juro, a mudança ainda pode acontecer. Tudo bem, eu sei que você não é mais criança, ainda que, para meu espanto, venha se comportando como tal. Veja, tenho pensado muito nessa história de tempo, e considerando tudo muito relativo. Mas já nem  sei  do que estou falando. Não deveria perder nem um segundo mais com esse assunto. Mas é que tenho uma bola na garganta. Espera, esquece. Agora passou.

mara.f




segunda-feira, julho 19, 2010

"Excesso de expectativa é o caminho mais curto para a frustração" Martha Medeiros


"Eu não quero promessas. Promessas criam expectativas e expectativas borram maquiagens e comprimem estômagos. Não, não e não. Eu não quero dor. Eu não quero olhar no espelho e ver você escorrer, manchando minha cara bonita."

Fernada Mello






quinta-feira, julho 15, 2010

O que os olhos não vêem


Uma cicatriz de uma ferida profunda. Recente, dói muito às vezes. Vai passar, é o que ouvi dizer. Eu sei, a dor sempre passa. Mas as marcas, essas ficam para sempre. O tempo pode até amenizar, algumas podem se tornar quase imperceptíveis. Então nesse momento, quando o mundo não puder mais enxergar, somente eu poderei saber. Como lembranças latejando as noites frias.

mara.f




"Sorte minha me doar tanto - e com tal intensidade - e ainda sair viva dessa vida."
(Fernada Mello)

Escuto e Vou


Tem sido assim ao longo desses anos. Eu acredito nessa voz que abstratamente me guia. Eu bem queria poder ter a certeza absoluta da total eficácia desses conselhos, mas entendo que isso não é possível. Existem muitas maneiras, infinitos modos, e, como sabemos, a vida não é uma equação matemática. Aliás, está longe de ser. Mas não devo, nem quero, também por isso, esquecer que fatos são fatos, não importa com quem eles aconteçam ou se manisfestem. As coisas são como são, por mais que possam até variar as interpretações. Por isso, desconfie se você nunca tem dúvidas, pois uma coisa é certa, o caminho não é único. E o certo, continua sendo certo mesmo que todos estejam fazendo errado. Não quero ser chata ou bancar a dona da verdade, pelo contrário. Falo isso, porque eu mesma ainda não decidi nada. Às vezes penso que tudo o que sei pode não ser muita coisa. E justamente por não conseguir deixar de ouvir minha intuição,  sinto que talvez seja a hora de dar mais atenção para a razão. Afinal, ela não há de ser tão má assim...

mara.f





"Perder-se também é caminho."
 (Clarice Lispector)




segunda-feira, julho 12, 2010

Não me meça pela sua régua


Que cada um deveria cuidar de sua própria vida todo mundo já está cansado de saber. Mas parece que para alguns indivíduos essa é uma tarefa muito difícil. Algumas pessoas parecem se sentir realmente no direito de julgar a vida alheia. Eu vejo uma certa arrogância nessa postura, algo que faz com que o outro se sinta capaz de enxergar além, de invadir o nosso cérebro, ler nossos pensamentos, ver a nossa alma, decifrar nossos sentimentos. Como se tudo isso fosse de fato acessível. Na verdade, é mais provável que vivamos toda nossa existência nesse mundo e não consigamos ao menos entender a nós mesmos. Quanta prepotência acreditar que podemos fazer isso pelo próximo. Isso para não falar em hipocrisia.
Então me vejo mais uma vez aqui falando tudo aquilo que, já deveria estar mais do que claro e óbvio. A maneira como me comporto, o que faço ou deixo de fazer, o modo como conduzo minha vida, minhas crenças e escolhas, dizem respeito somente a mim. Definitivamente não gosto de pensar que existe alguém que, cria hipóteses, ou imagina coisas a meu respeito, e ainda por cima, me expõe em conversas com terceiros, colocando inclusive meu caráter em dúvida, enfim, por pura e simples suposição. Ora, faça-me o favor. Guarde suas conclusões para você, porque eu jamais pedi sua opinião e muito menos te dei qualquer tipo de intimidade ou motivo para esse tipo de intromissão. E não se esqueça, que, cada um sabe de si. Ou não. Mas, seguramente, no meu caso, isso nunca será um problema seu.

mara.f





"Às vezes me dá enjôo de gente.

Depois passa e fico de novo toda curiosa e atenta.

E é só."

Clarice Lispector






quinta-feira, julho 08, 2010

Sem mais nem menos


No ponto. E ponto. Escrevendo parece tão simples. Na prática talvez até fosse, mas a gente complica tudo. Sinto muito, mas neste caso é preciso generalizar mesmo. Estamos todos juntos nesse barco, talvez sem querer ou mesmo sem perceber, doa a quem doer.
Mas não é difícil notar. Quem tem muito quer sempre mais. Mas quem tem pouco não corre atrás. Quem tem cabelo enrolado, estica, e quem tem liso, repica. Se vem o frio, reclamo, chega o calor me abano.
Uns pedem mais. Mais dinheiro, mais férias, mais diversão. Outros preferem menos. Menos preocupação, menos roupa, menos quilos. Eu, claro, não sou diferente de ninguém. Tenho minhas vontades, metas e preferências. Mas quero a partir de sempre, desde quando eu lembrar, agradecer mais do que pedir. Então que Deus me dê força e sabedoria. O suficiente.

mara.f





"Aceitar-se como ser humano cheio de limites e fraquezas é acima de tudo, sinal de equilibrio, paz consigo mesmo e felicidade".



Padre Fábio de Melo


terça-feira, julho 06, 2010

Se me permite um conselho...



Me peguei dando conselhos a um amigo. No maior estilo faça o que eu digo mas não o que eu faço. Sim, porque está para nascer um ser mais ansioso do que eu na face desta terra. Com a maior calma aparente, disse ao rapaz que não era conveniente se estressar por nada, e que ele deveria procurar manter sempre a calma em todas as situações. Quem vê pensa. Eu, justo eu, que tinha ido parar no pronto socorro há dois dias, em plena sexta-feira à noite, com fortes dores no estômago. A dor era de fato muito intensa e após uma anamnese, na minha opinião, muito da sem-vergonha, o médico plantonista deu o diagnóstico: Gastrite Nervosa. Acho que ele nem percebeu, mas eu menti. Ou melhor, omiti. Fez as perguntas de praxe e entre elas se eu havia ingerido algo fugia da minha dieta habitual. Já que tinha que acusar os culpados, me veio à cabeça um pãozinho francês com alho, aquele que, diga-se de passagem, eu não havia esquecido sequer um minuto durante o dia todo. Então, concluiu o doutor, esse pão, e muito provavelmente, algum outro acompanhamento que você deve ter feito, machucou seu estômago. Bingo! O acompanhamento. Para minha sorte, graças a Deus, ele não fez questão de saber. Mas eu secretamente sabia. Foram as agulhas. Alfinetadas mil. Não quis falar. Achei prudente esconder essa informação, afinal, foge e muito do convencional, e naquele momento me bastava o alivio da medicação que seria feita. Não queria passar também por louca. Mas eu tinha certeza. Eram elas. Tantas que enfiei goela abaixo. Tonta que sou, engoli todas. Uma por uma. A seco. Como se de fato me pertencessem. Me rasgando por dentro. Como não doer tão absurdamente? Preciso urgentemente aprender a não receber dos outros aquilo que não quero. E devolver no ato tudo aquilo o que não me faz bem.

mara.f




"Tem que lutar
Não se abater...

Não estou dando nem vendendo
Como o ditado diz
O meu conselho é pra te ver feliz"