Me peguei dando conselhos a um amigo. No maior estilo faça o que eu digo mas não o que eu faço. Sim, porque está para nascer um ser mais ansioso do que eu na face desta terra. Com a maior calma aparente, disse ao rapaz que não era conveniente se estressar por nada, e que ele deveria procurar manter sempre a calma em todas as situações. Quem vê pensa. Eu, justo eu, que tinha ido parar no pronto socorro há dois dias, em plena sexta-feira à noite, com fortes dores no estômago. A dor era de fato muito intensa e após uma anamnese, na minha opinião, muito da sem-vergonha, o médico plantonista deu o diagnóstico: Gastrite Nervosa. Acho que ele nem percebeu, mas eu menti. Ou melhor, omiti. Fez as perguntas de praxe e entre elas se eu havia ingerido algo fugia da minha dieta habitual. Já que tinha que acusar os culpados, me veio à cabeça um pãozinho francês com alho, aquele que, diga-se de passagem, eu não havia esquecido sequer um minuto durante o dia todo. Então, concluiu o doutor, esse pão, e muito provavelmente, algum outro acompanhamento que você deve ter feito, machucou seu estômago. Bingo! O acompanhamento. Para minha sorte, graças a Deus, ele não fez questão de saber. Mas eu secretamente sabia. Foram as agulhas. Alfinetadas mil. Não quis falar. Achei prudente esconder essa informação, afinal, foge e muito do convencional, e naquele momento me bastava o alivio da medicação que seria feita. Não queria passar também por louca. Mas eu tinha certeza. Eram elas. Tantas que enfiei goela abaixo. Tonta que sou, engoli todas. Uma por uma. A seco. Como se de fato me pertencessem. Me rasgando por dentro. Como não doer tão absurdamente? Preciso urgentemente aprender a não receber dos outros aquilo que não quero. E devolver no ato tudo aquilo o que não me faz bem.
mara.f
"Tem que lutar
Não se abater...
Não estou dando nem vendendo
Como o ditado diz
O meu conselho é pra te ver feliz"

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