segunda-feira, julho 16, 2012

"Toda falta é perdoada em um homem, menos de atitude." Tati B.

Quando eu era bem novinha gostava do menino mais bonito e mais popular da escola. Claro que ele nunca ficou sabendo disso. Aliás ninguém nunca ficou sabendo disso. Também pudera, eu nunca estaria à altura dele e com certeza ele jamais olharia pra mim. De qualquer forma, ele se enquadrava perfeitamente num modelo de beleza e popularidade que o faziam especial. Tanto que eu não era a única encantada por ele. Na verdade, pensando bem, eu acho que todas as meninas do colégio nutriam uma quedinha secreta pelo meninão. Isso só me faz ter cada vez mais certeza de que desde bem pequenas somos totalmente influenciadas pelos contos de fadas e levadas a acreditar em príncipes encantados. Sempre lindos. Charmosos. Perfeitos. Que bom que crescemos.
Ao longo dos anos me interessei por outros rapazes. E mudei muito meus parâmetros de escolha. Não, eu não fiquei menos exigente e sim mudei as prioridades. Hoje acredito em duas perspectivas fundamentais para despertarem o meu interesse num cara, muito mais importantes do que a beleza. Primeiro quesito indispensável num homem pra mim é a atitude. Sim, porque muito embora tenha toda essa história de feminismo, conquista de espaço pelas mulheres, igualdade entre os sexos, eu ainda amo ser feminina. Quero ser cortejada sim. E espero que o homem tome as iniciativas necessárias. Disso eu não abro mão. O outro aspecto em questão, e não menos importante, trata-se da admiração. Eu preciso admirar quem estará ao meu lado.  E me sentir também igualmente especial para o outro. Caso contrário não há como prosseguir. 
Preenchendo essas duas pautas citadas acima, o cara pode até não ser um exemplo de beleza e estar fora dos parâmetros considerados atrativos pela sociedade. Não importa. Ele terá meio caminho andado eu acredito que não só comigo, mas com muitas outras mulheres. Porque o aspecto físico atrai sim, não há como negar. Pelo menos num primeiro momento. Mas não sustenta a vontade de estar junto por muito tempo.

mara.f






"Chega de meias bocas pra preencher profundos vazios. 
Meios beijos de respeito na testa. 
Meias palavras para dizer alguma coisa que, feita a análise fria, nada querem dizer.
Intenções soltas e desejos desconexos. "



Tati Bernardi



quarta-feira, julho 11, 2012

Nosso próprio tempo

Levei muito tempo pra entender que não precisava ser perfeita e que, a cada vez que me cobrava tão fortemente, estava me distanciando da tão desejada felicidade. Ainda hoje, apesar de ter plena consciência de que esse ideal é totalmente inatingível, ainda me pego diversas vezes na velha batalha contra mim mesma. Tanto que, quando ouvi dizer em algum lugar, que crescer não era fácil e que, na grande maioria das vezes nós somos nossos próprios adversários, senti que me caiu como uma luva. Mas eu já decidi: quero mudar. E nesse caso querer já é no mínimo, um primeiro passo.
Pois bem, então vamos lá. Tentemos entender em que momento eu inverti as coisas. Quando foi que eu resolvi me perseguir. Sim, porque até onde eu imagino, nós deveríamos ser nossos principais aliados. Mas não, não é sempre assim que o mundo gira. Algumas pessoas de fora têm uma participação tão importante em nossas vidas que podem tanto nos ajudar quanto nos colocar extremamente para baixo, num lugar em que embora saibamos que não nos cabe, mesmo esmagados, fica muito difícil sair. E nesse caso eu acredito que tudo depende do período de nossas vidas em que esse tipo de pessoa surge.
Na infância, até certa idade, agimos guiados muito mais pelas emoções, do que pela a razão. Não temos a capacidade de discernimento que um adulto tem. É quando a opinião alheia pode sim, nos conduzir a uma formação errada de personalidade, de auto-imagem e eu ousaria dizer que, até mesmo, do próprio caráter. Por isso, toda atenção do mundo nesse caso é pouca. Temos que ter muito cuidado com o que falamos e principalmente, com o exemplo que estamos passando através das nossas atitudes. Afinal, com o passar dos anos e o avançar da idade, nós já sabemos muito bem diferenciar o certo do errado, e precisamos agir de acordo com as responsabilidades que nos cabem. Por outro lado, fica cada vez mais claro também, que algumas coisas simplesmente fogem do nosso controle. E pra quem compartilha da mesma angústia que eu, um recado de quem já é capaz de raciocinar por si próprio: a perfeição não existe.

mara.f




"Benditos os que conseguem se deixar em paz. 
Os que não se culpam por terem falhado,
não se torturam por terem sido contraditórios,
não se punem por não terem sido perfeitos."

Martha Medeiros