Levei muito tempo pra entender que não precisava ser perfeita e que, a cada vez que me cobrava tão fortemente, estava me distanciando da tão desejada felicidade. Ainda hoje, apesar de ter plena consciência de que esse ideal é totalmente inatingível, ainda me pego diversas vezes na velha batalha contra mim mesma. Tanto que, quando ouvi dizer em algum lugar, que crescer não era fácil e que, na grande maioria das vezes nós somos nossos próprios adversários, senti que me caiu como uma luva. Mas eu já decidi: quero mudar. E nesse caso querer já é no mínimo, um primeiro passo.
Pois bem, então vamos lá. Tentemos entender em que momento eu inverti as coisas. Quando foi que eu resolvi me perseguir. Sim, porque até onde eu imagino, nós deveríamos ser nossos principais aliados. Mas não, não é sempre assim que o mundo gira. Algumas pessoas de fora têm uma participação tão importante em nossas vidas que podem tanto nos ajudar quanto nos colocar extremamente para baixo, num lugar em que embora saibamos que não nos cabe, mesmo esmagados, fica muito difícil sair. E nesse caso eu acredito que tudo depende do período de nossas vidas em que esse tipo de pessoa surge.
Na infância, até certa idade, agimos guiados muito mais pelas emoções, do que pela a razão. Não temos a capacidade de discernimento que um adulto tem. É quando a opinião alheia pode sim, nos conduzir a uma formação errada de personalidade, de auto-imagem e eu ousaria dizer que, até mesmo, do próprio caráter. Por isso, toda atenção do mundo nesse caso é pouca. Temos que ter muito cuidado com o que falamos e principalmente, com o exemplo que estamos passando através das nossas atitudes. Afinal, com o passar dos anos e o avançar da idade, nós já sabemos muito bem diferenciar o certo do errado, e precisamos agir de acordo com as responsabilidades que nos cabem. Por outro lado, fica cada vez mais claro também, que algumas coisas simplesmente fogem do nosso controle. E pra quem compartilha da mesma angústia que eu, um recado de quem já é capaz de raciocinar por si próprio: a perfeição não existe.
mara.f
"Benditos os que conseguem se deixar em paz.
Os que não se culpam por terem falhado,
não se torturam por terem sido contraditórios,
não se punem por não terem sido perfeitos."
Martha Medeiros

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