Ela estava sem rumo. Num mundo frequentemente inconstante, era sempre penoso manter o pensamento reto. De alguma forma, a qual também não conseguia explicar, se sentia muito atraída por assuntos melancólicos. Via muita beleza na tristeza. Como se não soubesse mesmo existir de outra forma. E por mais que lutasse para conquistar uma visão racional e fizesse até parecer isso para algumas pessoas, no fundo, tinha uma alma tão romântica que doía. Era de fato uma luta não sucumbir à tentação de se entregar aquela dor tão vaga. Mas, a realidade sempre dava as caras. Se apresentava então para lembrá-la que o relógio se apressava sem dó, e esfregava o tempo implacável em sua cara triste. E assim ela continuava. Romântica de doer. Escondida. Quase moderna. Tão cansada que pensava não conseguir acordar qualquer manhã dessas mais frias. O difícil era imaginar como tinha chegado ali. Tudo o que queria era que a vida lhe trouxesse algo bom. Mas tinha um destino a cumprir.
mara.f
Khalil Gibran

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