Ai que vontade de agradecer. Não que eu tenha sempre essa vontade, acho que talvez até tenha mesmo, mas sei que não acordei com ela. Aconteceu agora. Essa vontade meio cínica que me enche de orgulho. Porque o cinismo pode ser horrível quando usado contra nós, mas a favor pode ser, de fato, muito libertador. Por isso, quero desprentenciosamente, ou não, agradecer a todos que algum dia, atravessaram meu caminho e, de alguma forma, me fizeram sentir tão aquém. Só posso agradecer. Se é que isso possa me confortar, não, não creio nisso absolutamente. Mas ter sempre que provar tudo, para todo mundo, me fez crescer. E aprender, dia após dia, a enfrentar minhas inseguranças.
Agradeço não porque me sinta realmente grata, isso não sou mesmo. Mas a vontade eu tenho. E hoje, me permito essa liberdade. Se quero agradecer, agradeço. Sem motivo, apenas por querer. Agradeço a todos aqueles que me insultaram de gorda-baleia-saco-de areia no colégio. Obrigada. Muito obrigada mesmo. Eles me fizeram perceber mais tarde que gordura não é defeito, nem tampouco, pecado mortal. E sempre se pode emagrecer. E que eu nem era tão gorda assim.
Agradeço o agradecimento mais importante de todos. A todos os idiotas que eu amei e tão pouco ou nenhum valor deram aos meus mais profundos e verdadeiros sentimentos. Dramalhões a parte, sinceramente, ainda não entendi porque algumas pessoas, e só algumas, precisam sofrer tanto por amor. Mas, enfim, sou forçada a acreditar que há de ter lá sua importância. Enquanto não descubro, menina bem educada que sou, continuo agradecendo.
mara.f
“aprendi com a primavera
a deixar-me cortar e voltar sempre inteira”
Cecília Meireles

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